
Carlos Bleck de José Guedes
Nota: Este artigo tem um prazo superior ao habitual.
Edição: Setembro 2021Sinopse:
No dia 5 de Março de 1934, aterrava em Goa, vindo de Lisboa, o mais aguardado dos visitantes. Carlos Bleck, a bordo de um pequeno monomotor, fazia-se à pista, depois de mais de 50 horas a voar. Foi recebido por uma multidão eufórica: pela primeira vez na história um aviador concluía a travessia entre Portugal e a Índia, um extraordinário feito aeronáutico. Descendente de uma família judaica da Polónia, que a diáspora fixou em Portugal, o piloto crescera com a febre da velocidade. Foi corredor de automóveis e velejador olímpico, antes de abraçar a sua maior paixão: voar. Bleck, o primeiro português a ter um brevet de piloto civil, distinguiu-se também como empresário, fundando uma companhia de aviação, a CTA, que antecedeu a TAP. O que o imortalizou, porém, foram as viagens aéreas. Para além da viagem à Índia, fez a primeira ligação aérea Lisboa / Angola / Lisboa. Atravessou mares e desertos, enfrentou tempestades de areia, trovoadas tropicais, fogo inimigo. A História, no entanto, acabou por o ignorar. Ainda durante o Estado Novo, protagonizou um acidente aparatoso, a bordo de um avião chamado Salazar, que ditou o fim dos seus voos pioneiros. O Portugal pós-25 de Abril não lhe perdoou ter sido membro da Legião Portuguesa e fervoroso defensor do regime anterior. Permaneceu uma nota de rodapé na história da aviação portuguesa. Até ao dia em que o comandante José Correia Guedes (autor de O Aviador) decidiu resgatá-lo do esquecimento.
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No dia 5 de Março de 1934, aterrava em Goa, vindo de Lisboa, o mais aguardado dos visitantes. Carlos Bleck, a bordo de um pequeno monomotor, fazia-se à pista, depois de mais de 50 horas a voar. Foi recebido por uma multidão eufórica: pela primeira vez na história um aviador concluía a travessia entre Portugal e a Índia, um extraordinário feito aeronáutico. Descendente de uma família judaica da Polónia, que a diáspora fixou em Portugal, o piloto crescera com a febre da velocidade. Foi corredor de automóveis e velejador olímpico, antes de abraçar a sua maior paixão: voar. Bleck, o primeiro português a ter um brevet de piloto civil, distinguiu-se também como empresário, fundando uma companhia de aviação, a CTA, que antecedeu a TAP. O que o imortalizou, porém, foram as viagens aéreas. Para além da viagem à Índia, fez a primeira ligação aérea Lisboa / Angola / Lisboa. Atravessou mares e desertos, enfrentou tempestades de areia, trovoadas tropicais, fogo inimigo. A História, no entanto, acabou por o ignorar. Ainda durante o Estado Novo, protagonizou um acidente aparatoso, a bordo de um avião chamado Salazar, que ditou o fim dos seus voos pioneiros. O Portugal pós-25 de Abril não lhe perdoou ter sido membro da Legião Portuguesa e fervoroso defensor do regime anterior. Permaneceu uma nota de rodapé na história da aviação portuguesa. Até ao dia em que o comandante José Correia Guedes (autor de O Aviador) decidiu resgatá-lo do esquecimento.
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No dia 5 de Março de 1934, aterrava em Goa, vindo de Lisboa, o mais aguardado dos visitantes. Carlos Bleck, a bordo de um pequeno monomotor, fazia-se à pista, depois de mais de 50 horas a voar. Foi recebido por uma multidão eufórica: pela primeira vez na história um aviador concluía a travessia entre Portugal e a Índia, um extraordinário feito aeronáutico. Descendente de uma família judaica da Polónia, que a diáspora fixou em Portugal, o piloto crescera com a febre da velocidade. Foi corredor de automóveis e velejador olímpico, antes de abraçar a sua maior paixão: voar. Bleck, o primeiro português a ter um brevet de piloto civil, distinguiu-se também como empresário, fundando uma companhia de aviação, a CTA, que antecedeu a TAP. O que o imortalizou, porém, foram as viagens aéreas. Para além da viagem à Índia, fez a primeira ligação aérea Lisboa / Angola / Lisboa. Atravessou mares e desertos, enfrentou tempestades de areia, trovoadas tropicais, fogo inimigo. A História, no entanto, acabou por o ignorar. Ainda durante o Estado Novo, protagonizou um acidente aparatoso, a bordo de um avião chamado Salazar, que ditou o fim dos seus voos pioneiros. O Portugal pós-25 de Abril não lhe perdoou ter sido membro da Legião Portuguesa e fervoroso defensor do regime anterior. Permaneceu uma nota de rodapé na história da aviação portuguesa. Até ao dia em que o comandante José Correia Guedes (autor de O Aviador) decidiu resgatá-lo do esquecimento.

















